Bicho-do-Mato

Sou bicho-do-mato
finjo que vivo
às vezes escapo
do fogo cruzado.

Sou bicho-do-fogo
Finjo que mato
As vezes vivo
Cruzando o espaço.

Sou bicho-que-finge
Vivo escapando
As vezes cruzando
Um dia me mato.

Moeda

Lembra daquele dia?
agente sentado no alto da Serra,
Todos o lados que olhávamos tinham vales...
...e vi que muito vale a pena viver do seu lado!

Agente ficava revezando os abraços,
ora te segurava, para você chegar à ponta do abismo,
ora você sorria...e eu nem precisava ir até lá!
e ora, o vento nos levava para longe dali.

Palavras seriam pecado naquele instante...
o único som era o do silêncio, as vezes quebrado pelas águas, logo atras de nós!
Nem mil moedas de ouro pagam o bem-estar...
...de estar bem aqui, ou ali - com você!

Sorria! Os espinhos têm rosas...

Não compare o amor

Àquela rosa vendida...

(que estava quase sem cor).

O amor gratuito é o sentido da vida.


Vida nova a cada dia,

Adia a idade repentina.

Cada manhã uma novidade

Que me atravessa a retina.


Uma rosa é o signo de qualquer outra flor

Um amor é somente e sem razão... Ele próprio.

Portanto deixe seu Vício morrer,

E veja o que sinto por você: é terna afeição.



Devaneios




Eu sou o rastro apagado do avião a jato
Não me apego ao que ficou pra trás
Meu caminho sou eu quem traço

Não visto roupas da moda
E não tenho o modo de vista dos antepassados
Mas acho que agente se acostuma

A nudez é o uniforme de quem não abraça causa alguma.

Homens de Aquário


Creio que pelos últimos acontecimentos, chegamos de vez ao ápice do esfacelamento causado pelo movimento capitalista. Como se já não bastasse a venda de acessórios tecnológicos de última geração totalmente inúteis, mas sem os quais sua vida não seria completa, agora decidiram vender o cotidiano humano enlatado.

Imagine você numa noite de sábado, veste a melhor roupinha que tem para ir ai shopping center admirar as vitrines que vendem um status inalcançável...De repente você se depara com uma espécie de caixa de vidro, um aquário, cheio de homenzinhos sedentos (e sedentários) pela sua atenção. Pois bem, essa foi a mais nova investida do BBB, que estrategicamente confinou nossos queridos irmãos mais velhos em uma casa de vidro no meio de um shopping. E o mais impressionante! Milhões de brasileiros querendo comprar.

Eu fiquei me perguntando qual seria então o preço e percebi que estamos pagando com nosso próprio cérebro, e claro, de forma parcelada. São tantas possibilidades que quando agente assusta...Pronto! Lá se foi mais um ser pensante...

Se o ser humano resulta do encontro de um potencial inato qualquer com a cultura, temos que refletir quais os aspectos culturais estão transformando seres singulares em peixes de aquário...

Tudo tem o seu preço! E você? Quer pagar quanto?


Quanta gente existe por aí que fala tanto e não diz nada?

"Meu violão não tem Dó,
Não toca farra e nem Forró!
Si ensaio o rock, logo escuto o choro...
- Sai! porque solo é para poucos.
Já o samba...
deixo para quando o Sol estiver longe,
Para chover em Mí maior"


O mal do escritor

Como se não bastasse a noite de farra, consequentemente, mal dormida. Como se nada fora a labuta semanal que me assola o pensamento a cada vez que ouço o Camargo e a Poeta me desejarem boa noite, como se nada estivesse em minha mente hoje. Como se nada houvesse, ou nada tivesse a fazer, preciso cumprir o meu dever de blogueira-amiga:
Eu preciso curar um blog do "mal do escritor". O escritor é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é "falta de tempo" o bloqueio que deveras sente. Tragam o desfibrilador, uma caneta e um papel. Hoje o "Verbos de Ligação" volta à vida, pelas minhas mãos.



Doces travessuras
dezesseis letras, seis sílabas, duas palavras. Formariam um bom trio com o vocábulo "nostalgia", afinal, doces e travessuras são indícios graves de infância bem vivida. Quando criança, não pude - por um segundo sequer! - evitar, que a força das duas palavras me acertasse em cheio. Bem na boca do estômago, ou na ponta da língua.
Certa vez, quando criança, apanhei de uma babá. Não deixei barato. Tranquei-a no quintal e apontei uma mangueira na direção da minha algoz. Eu era detentora de desafiadores quatro anos de idade. Travessura por travessura, a minha pequena vingança, talvez a primeira de muitas que pratiquei na vida, ficou marcada pela execução perfeita do meu plano criminoso. Olho por olho, tapa por banho. A minha lei.
Hoje, as minhas travessuras continuam divertidas, mas sutilmente menos inocentes.

Este foi um presente da Gi ( http://gotasintrospectivas.blogspot.com )